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Quem nunca ouviu dizer que “os jovens são o futuro do país?” Quase todo o mundo não é verdade? Porém a afirmativa merece uma reflexão: se os jovens são o futuro do país, qual o seu papel sócio-político no presente? O que podemos considerar em relação à afirmativa dita acima? Ela projeta para o jovem uma responsabilidade para o futuro, e o trata como um “parasita” na sua realidade juvenil. Entendê-lo como futuro é, sobretudo, dar visibilidade à sua realidade. Por isso, é preciso fomentar a participação dos jovens em todos os espaços da cidade. Entretanto essa abertura deve agregá-los e transformá-los em seres ativos, capazes de mudar sua realidade. Essa formação ética e participativa, deve se dar, também, na produção e no pensamento crítico e comunitário do jovem.
Segundo o psicólogo Daniel Becker, esses espaços de participação “afetam todos os aspectos da vida, pois, a partir dela, utilizam novas capacidades para pensar sobre si e sobre todo o mundo que o cerca”. O consultor, Antônio Coquito, aponta que “adolescentes e jovens não querem estar à margem, como vem ocorrendo em vários momentos do processo de formação histórica dos brasileiros. Querem sim, que lhes sejam oferecidos espaços de discussão que impulsionem sua ação sócio-política”.
A isso chamamos protagonismo juvenil. E educar para o protagonismo é enfatizar a capacidade dos jovens de sonhar, sentir e de saber se expressar com maior liberdade e criatividade. Entretanto, essa é uma tarefa árdua para educadores populares e sociais que atuam na área dos direitos e da cidadania. Esse desafio propõe aos educadores pensar suas práticas diárias e, indo mais além, despedir-se da visão estereotipada da cultura do jovem, entendo-os como seres singulares, e trabalhando a educação de forma horizontal e coletiva. Desse modo, reconhece-se o jovem como sujeito de direito. Vale ressaltar que protagonismo não é empreendedorismo. O empreendedorismo está ligado ao trabalho, emprego e renda; o protagonismo aos direitos e à cidadania.
O consultor e pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa define o protagonismo como: “a atuação individual ou coletiva do jovem na solução de problemas na comunidade ou na vida mais ampla, atuando de forma autônoma ou com os seus educadores em questões de ordem social, política, econômica e cultural”. Indica ainda quatro linhas de ação a serem observadas: a apresentação da situação problema, as propostas de alternativas ou solução, a discussão das alternativas apresentadas e a tomada de decisão.
Antônio Carlos enfatiza, ainda, que o educador deve observar se a sua presença inibe ou incentiva a participação do jovem. Deve, também, estar alerta para o fenômeno do protagonismo no Brasil, pois esse é um movimento que veio pra ficar. O educador que não perceber isso, além de sair perdendo, será atropelado pelo curso da história. Portanto, é mais que urgente uma mudança, tanto nas práticas de educação, quanto na concepção de uma nova mentalidade na cultura juvenil do século XXI.
*Rodrigo Corrêa
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